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Rodrigo Strauss :: Blog

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Não tem jeito, a Microsoft não respeita os programadores VB

O suporte "standard" da Microsoft para o VB6 está chegando ao fim. Considerando a quase total incompatibilidade entre o VB6 e o VB.NET, a comunidade VB está se mobilizando (de forma tardia) para tentar reverter a situação, inclusive tentando que a Microsoft suporte o VB6 (que eles chamam de "Classic Visual Basic") e faça atualizações para ele. Foi criada uma petição, que pode ser assinada no site classicvb.org.

Até agora, a petição foi assinada por mais de 2300 desenvolvedores, incluindo 224 MVPs. O mais engraçado que é não valeu nada, a Microsoft não fez nada. Se 1 MVP tem tanta importância como ele dizem, porque 200 deles não valem nada? Não estou dizendo que a Microsoft deveria simplesmente criar o "Classic Visual Basic", mas acredito que eles mereciam mais atenção. A única reação da Microsoft foi uma entrevista que o Somasegar (cujo cargo é "Corporate Vice President - Developer Division") deu ao CNET. Achei as considerações do Somasegar ridículas e as desculpas completamente esfarrapadas:

  • A Microsoft não pretende atualizar ou lançar uma nova versão do "migration wizard". Isso realmente é uma questão de (falta de) respeito.
  • Fazer com que o "Classic Visual Basic" rode na IDE do VS.NET é "tecnicamente não plausível". Espero que isso queira dizer um "nós não queremos fazer", porque se isso significa dificuldade técnica, a Microsoft já não é mais a mesma.
  • O Visual Basic 8 (VS 2005) será muito melhor em RAD (Rapid Application Development). Será que ele realmente entendeu do que se trata ou está mesmo fugindo do assunto? RAD por RAD, os programadores VB6 podem muito bem mudar para o Delphi, já que ele tem um RAD ótimo. Do que adianta ficar desenhando formulários multicoloridos em tempo recorde se a linguagem é incompatível? Estamos falando em compatibilidade com os milhões de sistemas desenvolvidos em VB6 até hoje.
  • No Visual Studio 2005, recursos conhecidos do VB6 serão trazidos de volta, como o "Edit and Continue". Mais uma consideração ridícula. Tiraram esse recurso do VB e agora estão jogando confete por colocar de volta. É como roubar algo de alguém e devolver como um presente, 4 anos depois.

Mesmo que muitas pessoas considerem o VB6 "feio" e limitado, ele era (não sei se ainda é) a ferramenta de programação Microsoft mais usada. Existem milhões de linhas de código em VB pelo mundo, e elas ficaram estagnadas para sempre. Tudo isso porque a Microsoft está dando importância ao "puritanismo técnico" típico de programadores C++ ao invés de ouvir os clientes. "Eu devo dar o peixe ou ensinar a pescar? Achamos melhor direcionar nosso esforços para trazer os clientes para o 'novo mundo'", disse o Somasegar. Na boa, esse é um bom método para tratar crianças, não milhões de programadores. Acho que está na hora do pessoal do VB aprender com o pessoal do FoxPro como fazer para ganhar o respeito da Microsoft sem ser programador C, C++ ou C#...

Não estou dizendo que a Microsoft deveria simplesmente fazer o que esses 230 MVPs querem (ou deveria?). Só acho que ela deveria dar mais atenção à reivindicação, e tentar arrumar a situação. Eles não são usuários domésticos, são programadores que mantêm sistemas de bancos, instituições financeiras e empresas gigantescas. Será que a Microsoft pode se dar ao luxo de tratá-los como moleques que não sabem o que querem? Ah, apesar de dar a entrevista, o Somasegar não escreveu uma palavra sobre isso no blog dele.

[Atualização 17/03/2005: O Somasegar resolveu se mexer, e escreveu um post sobre isso. Repetindo que a grande resposta da MS ao assunto será criar um "VB Upgrade Center" na MSDN...]


Em 17/03/2005 04:50, por Rodrigo Strauss


  
 
 
Comentários
Raven | e-mail | em 17/03/2005 | #
É meu amigo, isso eh uma trash situation!!
Alfred Gary Myers Jr. | website | em 17/03/2005 | #
Ah bicho.. Estão criando tempestade em copo d'água.
VB 6 é a ferramenta RAD preferncial para se criar aplicações COM e VB 7 é o equivalente para o mundo gerenciado (e deixou de ser a única oferta "preferencial" da Microsoft nesse campo, vide C#)
A Microsoft já deixou bem claro o COM está sendo phased-out dando lugar às managed APIs que seriam a "evolução" do COM.
O suporte não está sendo extinto agora. Está mudando para suporte pago. Mas isto é o suporte dado pela *Microsoft*.
Agora me fala, quantas vezes você já usou o suporte da Microsoft? Praticamente tudo, você encontra por aí na Internet e de graça.
Bancos, instituições financeiras e empresas gigantescas, se precisarem, podem pagar pelo suporte.
O pessoal fica falando que a linguagem mudou.. Fala verdade.. as mudanças na linguagem não impactaram tanto assim. O que realmente mudou foram as APIs...
Para exemplificar, a mudança de ADO pra ADO.NET foi drástica! E na minha opinião algumas coisas mudaram para pior nessa transição. Nem sempre eu quero ou preciso trabalhar desconectado. Daqui a alguns anos vão reintroduzir o modelo conectado como se fosse uma grande novidade.
Por outro lado, a programação de Windows Services ficou enormemente facilitada. Pega o Reflector e dê uma olhada no tanto de coisa que um ServiceController.ServicesDependedOn faz. É somente um wrapper para a API Win32, mas um wrapper turbinado. Ele tira fora qualquer duplicação e algumas coisitas mais.
O pessoal tem que se tocar que migar uma solução VB6 para .NET nem sempre é a melhor solução. As vezes vale mais investir em interoperabilidade entre sistemas novos em managed code com esses sistemas antigos. E para isto, o VB7 está muito bem preparado.
Se o cabra não tem culhões para aprender as novas APIs, que use Interop para acessar as APIs que está costumado a usar.
Managed code pode acessar COM e vice-versa usando Interop.
Falar que a Microsoft não respeita o programador VB é outra falácia. Neste caso a criança é a Microsoft e não o programador. Como uma criança, a Microsoft vai testando os seus limites junto a seus pais. Parece que os pais VB são mais permissivos que os pais FoxPro.
Rodrigo Strauss | website | em 17/03/2005 | #
Eles podem estar criando tempestade em copo dágua, até pelo fato de que essa chiadeira está 4 anos atrasada e usa o fim do suporte "de grátis" como trigger. O fato que é que eu acho que a Microsoft deveria se esforçar mais para solucionar esse tipo de problema.

A "API" do VB não sofreu evolução, ela simplesmente foi jogada fora. Até onde eu me lembro, isso nunca aconteceu, nem com Win16/Win32 (que tem 20 anos), nem com COM (que continua funcionando e muito, usado nas empresa na encarnação de COM+), nem com FoxPro. Programas C++ feitos para Win16 são mais fáceis de portar para Win32 do que programas VB6 para VB.NET.

Migrar é uma boa solução, VB.NET é bem melhor do que o VB6, mas a pergunta é: o que fazer com a evolução dos sistemas legados? Transformar tudo em um Frankenstein com Interops, DCOMs e WebServices para todo lado? Não acho que isso resolve o problema.

Eu realmente acho que a Microsoft não respeita os programadores VB, e sempre achei isso. Eles acham que sabem o que é melhor para eles (nós), e muitas vezes nem ouvem o que eles tem para dizer. Vide esse episódio. São programadores C++ que não se rebaixam a escutar programadores BASIC. Ou seja, algo ridículo. Por isso que o PowerBuilder ainda vende, é simples e faz o que o cliente precisa. O .NET é muito bom, mas é muita areia para o caminhãozinho de muita empresa que tem por aí. Pegando todos os programadores que vc conhece, quantos sabem realmente o que estão fazendo?

Mesmo se o cara tiver culhões gigantescos, ele não consegue evoluir um sistema VB6 para se adaptar ao novo mundo. Se consegue, a adaptação é muito custosa. O que fazer com um sistema bancário com mais de 1 milhão de linhas VB? (Sim, isso existe) Interop e remendos, pq o VB6 provavelmente só vai falar com Indigo por meio de "gambiarras".
Alfred Gary Myers Jr. | website | em 17/03/2005 | #
Ah bicho.. a migração do VB3 (16bits) para VB4 (16/32btis) não foi lá essas maravilhas não... os controles VBX pararam de funcionar e todo mundo falou um monte na época, mas todo mundo sobreviveu.

A transição do DAO para ADO também não foi essa maravilha toda. E por conta disto, até hoje tenho código DAO rodando por aí. Simplemente não vale a pena portar.

Esses programadores de quem você fala não sabiam o que faziam já no VB6 e até antes. Usavam ele como se tivessem usando o VB3.

O COM continua funcionando como você diz, mas fazendo analogia com uma onda senoidal, o COM já passou pelo pico, agora a tendência é descer. Managed code por outro lado ainda está no início do seu ciclo, tá subindo.

Sistemas legados são isso - sistemas legados.
Alguns conseguem evoluir outros não.
Quanto melhor projetado, mais fácil será seguir um dos vários caminhos existentes para a evolução.
E falo isso por experiência própria. Dos vários sistemas que desenvolvi (sozinho ou em equipe) cada um terá um nível diferente na dificuldade de conversão.

Se a gente pegar aquele primeiro projeto em que a gente trabalhou junto, onde as coisas estavam relativamente bem separadas, uma conversão seria bem mais fácil do que pegar pra converter um desses projetos VB6 no último cliente em que trabalhamos juntos.

Por que? Por que lá no primeiro a gente separou em camadas e tal... Aqui o pessoal fez tudo em "menos três" camadas. Esse tipo de projeto vai dar muito trabalho para converter.

Quer saber? Acho que preciso de uns chopps!
Fabio Galuppo | website | em 17/03/2005 | #
Eu apoio a visão da Alfred..

Olha só:

1. O que acontece na maioria das vezes são programas mal feitos em VB 6 que vem desde da época do VB 4, os caras só vão mudando de ferramenta, e não vão se atualizando. Acho que esta dificil continuar criando uma colcha de retalhos

2. Independente do ponto de vista da complexidade migração, se o sistema VB 6 segue uma boa prática de programação a migração não é traumatica, o wizard é "camarada" e aponta várias falhas, obviamente que ele não faz milagres.

3. Estamos num grande momento de transição, a MS esta dando uma cartada pesada... Ou vc migra e se atualiza, ou muda de linguagem e até mesmo de plataforma...

4. Pelo que andam falando o suporte ao VB será extendido (não sei)

:)
Minha mãe esqueceu de me dar um nome | em 18/03/2005 | #
Rodrigo, é sempre bom dar uma olhada nas coisas que você escreve aqui, como é a primeira vez que escrevo nesse espaço queria deixar meus parabéns.
Nesse assunto em particular, pessoalmente tenho uma visão diferente, mais próxima do que os colegas escreveram.
Não é a primeira vez que uma linguagem, sistema operacional, ou qq software de grande distribuição deixa de ter continuidade ou suporte free (como jpa foi dito não faz tanta diferença), vejo isso como parte da evolução natural do software, pois não será ligada uma chave na MS pela qual os sofwares deixarão de funcionar ou não poderão ser recompilados e alterados...
Em relação ao pedido dos MVPs, talvez eu esteja sendo um pouco radical, mais fiquei surpreso quando soube disso e de certa forma desapontado, pois esperava que profissionais desse porte aceitassem de outra forma a evolução da tecnologia, como certamente aconteceu com a esmagadora maioria dos MVPs e programadores que já estão buscando se atualizar. Se adotarmos uma visão mais egoísta, isso só favorece os profissionais que aceitam melhor as mudanças na área de tecnologia, e usam sua bagagem para aprender melhor e mais rápido o que chega de novo.
É isso aí, apenas minha opinião.
Abraços !
Guima
www.nexsun.com.br
Alexandre Guimaraes | website | em 22/04/2005 | #
...tenho nome sim, é que só sei digitar em um textbox :)
mr.Delphi0012 | em 02/01/2009 | #
Cara, O grande negócio é para de reclamar da microsoft e ir em frente. É incrível como ao invés de tentar coisas novas as pessoas sempre têm esse tipo de reação quando se deparam com grandes mudanças, sim é verdade que nem sempre para melhor por exemplo:O novo acordo ortográfico;E daí "Assembleia" não é mais acentuada alias nem um ditongo aberto
e aí o que me diz.......?
Rodrigo Strauss | website | em 02/01/2009 | #
O negócio não é só ir em frente, e sim o quão fácil é ir em frente. Quando se tem milhões de linhas de código que dependem de uma ferramenta e que ficam obsoletas por uma decisão de um fornecedor, isso é um problema grande. Claro, vamos seguir em frente, mas com um grande custo de tempo e dinheiro.
Felipe Rodrigues | website | e-mail | em 13/10/2016 | #
Sou desenvolvedor e gosto muito do VB por ser muito rápido para coisas simples. Hoje já nos meus 51 anos de idade e como projetista uso muito os conceitos de software da Microsoft para iluminar as mentes do pessoal do Linux e Software Livre. aprendi muito com o visual studio e trago isso comigo. Migrar é evoluir!
Algo a dizer?
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