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Rodrigo Strauss :: Blog

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Mark Lucovsky vai para o Google

Pode parecer mais um grande engenheiro de software sendo contratado pelo Google, mas para mim significa o início de uma nova era. Para quem não sabe, Lucovsky é um dos engenheiros originais do Windows NT, que veio da DEC junto com Dave Cutler para desenvolver o novo sistema operacional da Microsoft. Naquela época (1989) o projeto era fazer um kernel modular (e não um micro kernel como alguns dizem) que rodasse em um protótipo de processador da Intel (o N10) e suportasse basicamente a API do Presentation Manager do IBM OS/2. Depois de um tempo, esse novo sistema operacional (já batizado de NT, sem o "Windows" antes) foi portado para plataforma Intel e Alpha. Além disso, a API do Presentation Manager foi substituída pela API Win32, que foi criada para aproveitar o boom do Windows 3.0.

Muitos dos componentes do kernel do Windows NT/2000/XP/2003 foram feitos por Lucovsky. Na verdade toda vez que você executa um programa, você está rodando um código feito por ele (ele foi responsável pela parte do kernel que gerencia processos e threads). Ele foi responsável também pelo gerenciamento do controle de versão desses projetos gigantescos (como ele explica nessa apresentação). Mais algum dúvida sobre a importância dele para Microsoft?

Vamos agora à explicação do porquê eu acho que estamos no início (sim, no início) de uma nova era. Lucovsky escreveu um post mês passado sobre como a Microsoft não é mais a melhor em fazer, entregar e distribuir software. E a visão dele é muito interessante: quando alguém na Amazon (ou no Google) faz uma modificação no software deles, milhões de pessoas têm acesso a essa modificação na mesma hora. Quando a Microsoft faz uma modificação, esse modificação precisa de um download, muitas vezes da instalação de uma runtime (.NET), precisa que o usuário aceite um contrato, faça ativação, etc.

Lembra quando eu falei sobre a "Plataforma Google"? O Google mostra cada vez mais que está investindo nessa plataforma e ela é realmente o core da empresa. O mecanismo de buscas é, na realidade, o software mais importante que roda sobre essa plataforma.

As contratações do Google são todas na direção do que a empresa já faz, e não na criação de algo revolucionariamente novo. Contratando especialistas em sistemas operacionais (como Lucovsky e Pike) não significa que eles irão lançar um sistema operacional. Contratando especialistas em browsers (como Goodger, do Firefox) não significa que eles NECESSARIAMENTE lançarão um browser (Só mesmo o bobinho e inocente John "idéias não-tão-geniais" Dvorak para pensar assim). Essas são as plataformas que eles usam (o cluster Linux e Ajax), quanto mais eles entenderem delas mais sucesso eles terão. Se uma fábrica de automóveis contrata especialistas em aço, não significa que ela necessariamente vai entrar no ramo de siderurgia...


Em 04/03/2005 16:16, por Rodrigo Strauss


  
 
 
Comentários
Fabio Galuppo | website | em 14/03/2005 | #
Cara, eu fiquei sabendo desta noticia por acaso na noite de quinta passada (10/3). E fiquei pensando nisto a semana inteira (inclusive quero bloggar sobre este assunto, e o seu post caiu muito bem). Hoje conversando com o Alfred ele disse-me q tinha postado sobre este assunto.

Com certeza, a saída de Marc Lucovsky da Microsoft é algo para se pensar muito. O cara era do core do NT, e responsável por muitas coisas importantes, até mesmo anunciar para IBM q a API do NT seria baseada no Windows (ref livro Showstoppers). Ok, nos últimos anos ele foi responsável pelo .NET My Services que, apesar de ter um PDC dedicado ao assunto, não viu a luz do dia... Após isto não se ouviu falar dele.

A proposta dele, fora da Microsoft, é extender a visão "software as service".

Isto pode ser bom ou ruim para Microsoft. Bom, pelo fato que a Google pode adotar mais soluções (ou idéias) Microsoft. Ruim, no sentido do Google querer competir com a Microsoft no mercado de plataformas para usuário. Definitivamente estamos numa nova era da computação...

Agora o q me deixa mais intrigado é que o deployment dos softwares como serviço é exclusivamente no servidor (vide exemplo citado por Lucovsky sobre a Amazon), mas tbm software/plataforma necessita de um deployment localmente, mesmo que inicial. O deployment da Microsoft (Windows, Office, .NET Framework) ou são via cds/dvds ou download, porém um MSN Search (q poderia ser comparado com o deployment Google ou Amazon ou Outlook Web Access) não - e este pode ser considerado um "software as service" - porém este exemplo acaba sendo obfuscado por softwares "rich". Acho q a MS tem os 2 tipos de deployment, o Google tem 1 (com exceção da toolbar - que também não é amplamente instalada).

É preocupante a saída de Lucovsky, mas será mais preocupante a saída de outros ícones como Cuttler por exemplo.

De fato, estamos diante de um nova era... Acredito que hj não só a Microsoft não sabe "shippar" um produto, mas muitas outras empresas... Estamos num momento de transição onde vemos Rich, Thin, Mobile, Smart clients - e não existe o modelo definitivo.
Rodrigo Strauss | website | em 14/03/2005 | #
Sobre os modos de deploy, a Microsoft não dormiu no ponto, mas isso está demorando um pouco mais do que o ideal. Teremos no Longhorn o XAML e o ClickOnce. O XAML é muito superior ao HTML e tem uma flexibilidade absurda. O ClickOnce é uma boa solução para o problema, mas não sei se será a ideal.

Eu fiquei um pouco chocado com a saída dele. Acho que se o Anders Hejlsberg saísse a importância seria menor, já que tudo que ele desenvolve é em cima da plataforma feita pelo Lucovsky. Ele era o arquiteto do "core's core" da MS. Realmente uma grande perda.
Alfred Gary Myers Jr. | website | em 15/03/2005 | #
Sem dúvida é uma perda, mas não é o fim do mundo...
Vou começar a me preocupar se isso virar rotina.. Gente boa saindo com frequência...
Mas o que tenho visto ao longo dos anos, é que algumas pessoas importantes têm saído sim, mas não num ritmo de "sangria" de talentos.
Na minha opinião o Lucovsky, pisa na bola ao usar a fama dele pra FUD (Fear, Uncertainty and Doubt).
Aliás... não acho não.. agora ele trabalha prum concorrente da Microsoft e a Microsoft é mestre em FUD com os concorrentes deles. Tá provando do próprio veneno.
Não vejo nada de errado com a forma que a Microsoft distribui o seu software.
Ela desenvolve produtos totalmente diferentes daqueles oferecidos pelo Google e naquilo que é parecido, o deployment também é.
Achar que a Microsoft pedeu o bonde do shipment é ingenuidade.
Basta ver o que ela tem feito ao longo dos anos.
Hoje mesmo saiu um artigo na news.com a respeito disso: http://news.com.com/Microsoft+gets+outside+the+box+with+soft..."> http://news.com.com/Microsoft+gets+outside+the+box+with+soft...
Tá demorando mais do que achavam que deveria, mas isso é pra todo o mundo, não só para a Microsoft.
Gomes | em 09/04/2005 | #
Sei lá, na minha opinião eu acho que o Google deve ter sim alguma idéia de sistema operacional em mente.

Eu tava lendo uma especulação, e tudo indicava que o futuro tende a ser pela Internet. Logo, com isso a Microsoft tava com medo de "perder o mercado do Windows no Desktop" sua principal fonte de renda. Ou seja, se tudo for pela Internet, qual a necessidade de ter um sistema operacional da Microsoft???

Assim sendo, o Google tá interessado somente em Browsers e como o Browser vai rodar sem ter um Windows... Exemplo, um Kurumim com Firefox rodando via CDRom já seria o suficiente para acessar o Google, Comprar pela Internet, Usar um Editor de texto pela internet, e etc...


E a Microsoft tá querendo descobrir algum jeito de como deixar os usuários dependentes do Windows... e nesse artigo, falava o pq da Microsoft estar querendo desenvolver tudo do "lado Client", para causar dependência do Windows desktop. Porque sem isso, a Microsoft tá fudida.


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