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Rodrigo Strauss :: Blog

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Projeto de lei 1947/2003 sobre a regulamentação da profissão de Analista de Sistemas: eu sou contra!

Existe um projeto de lei, proposto por um deputado do Rio de Janeiro (Eduardo Paes), que prevê a regulamentação da Profissão de Analista de Sistemas e a criação de um conselho, como a CREA, para os profissionais de informática.

Até aí, tudo muito bom. Até ler o conteúdo da lei:

Art.2º Poderão exercer a profissão de Analista de Sistema no País:

I - os possuidores de diploma de nível superior em Análise de Sistemas, Ciência da Computação ou Processamento de Dados, expedidos no Brasil por escolas oficiais ou reconhecidas pelo Governo Federal;
II - os diplomados por escolas estrangeiras reconhecidas pelas leis de seu País e que revalidarem seus diplomas de acordo com a legislação em vigor;
III - os que, na data de entrada em vigor desta lei, tenham exercido, comprovadamente durante o período de, no mínimo 5(cinco) anos, a função de Analista de Sistema e que requeiram o respectivo registro aos Conselhos Regionais de Informática.

E tem mais:

Art.31 Constituem infrações disciplinares, além de outras:
I - transgredir preceito de ética profissional;
II - exercer a profissão quando impedido de fazê-lo, ou facilitar, por qualquer meio, o seu exercício aos não inscritos ou impedidos;

Não esqueça que "impedido de fazê-lo" é alguém que não tenha diploma na área de informática. E passar um projeto para uma pessoa não formada será uma infração passível de punição.

O deputado Eduardo Paes é advogado, ex Secretário do Meio Ambiente do Rio, e assumidamente não entende de informática. Não estou simplesmente o desqualificando, mas acho que a visão dele da nossa área é equivocada, ele está tratando nossa área como se fosse Medicina e Engenharia. Inclusive, as pessoas que defendem a criação da lei insistem em fazer comparações com essas áreas, que como sabemos, tem um dinâmica completamente diferente da nossa. Eles chegam até a dizer que tirando os "sem diploma" do mercado o salário aumentará graças a lei da oferta e procura. Egoísmo pouco é bobagem mesmo...

Eu já gastei meu latim (sem sucesso) em uma lista de discussão sobre o assunto, tentando explicar que tirar as pessoas sem diploma do mercado não é o mais correto. Sabemos que existem MUITOS analistas e programadores sem diploma que são MUITO melhores do que os formados. Além disso, me parece um instrumento visivelmente criado por alguém que não tem conhecimento da área, e para profissionais limitados que querem manter seus empregos às custas de um diploma. Querem criar mais um indústria dos "assinadores de projeto", como existe em jornalismo e engenharia. Talvez a regulamentação seja boa, mas o texto dessa lei está completamente equivocado.

Criei uma nova lista de discussão para as pessoas que SÃO CONTRA essa lei. Caso alguém queira ajudar com argumentos, ou ajudar a pensar na forma mais adequada de manifestação para evitar que essa lei seja aprovada, sinta-se convidado.

Caso você não conheça direito a lei, dê uma lida nela e nos seus apensos. Caso você chegue a conclusão que também é contra, entre na lista. Caso ainda não tenha opinião formada ou deseje somente discutir o mérito da questão, use a lista da RioJUG que foi criada para isso.

Parece que o pessoal da Sociedade Brasileira de Computação também é contra a exigência de diploma na área. Fiquei muito feliz ao saber disso.

Para mais detalhes

Texto do projeto de lei
Página com todas as informações dos projetos. Leia os apensos e veja as justificativas, você dará boas risadas


Em 19/10/2004 17:16, por Rodrigo Strauss


  
 
 
Comentários
Ravi | e-mail | em 30/05/2007 | #
Este post é antigo, mas este Romeu é ridículo :-)
emerso souza | em 24/06/2008 | #
Cara sou contra a sua idéia acho que a lei vai sim comtribuir para a rpofissão.

todo mundo deve cursar uma faculdade sim. isso faz com que os salários melhorem.

não sei se e o seu caso mas a faculdade ajuda a abrir os horizontes.
Joel Queiroz | em 22/07/2008 | #
Minha opinião é que TODAS as profissões devem ter seus respectivos conselhos.Isto melhora as condições de trabalho de todos que desejam exercer a profissão HONESTAMENTE, sem querer pular etapas.
p.s.: você usou a expressão "meu latim".Você é graduado em letras?
Rodrigo Strauss | website | em 23/07/2008 | #
"gastei meu latim" é uma expressão idiomática usada quando você gasta bastante tempo discutindo mas não chega a lugar nenhum.
Robson | e-mail | em 20/08/2008 | #
A regulamentação é válida para evitar que o CREA abocanhe o mercado de profissionais em TI (sim,mercado mesmo, a tutela de um conselho significa lucro para o mesmo e muitos obstáculos para os profissionais - diplomados ou não - e as empresas) como já tentou fazer antes. Mas o texto da tal lei é realmente equivocado e felizmente a SBC e seus colaboradores estão buscando, há vários anos, criar uma lei que regulamente a profissão de analista mas sem a obrigatoriedade de um diploma e da filiação a conselho algum. Resta aos contrários à regulamentação com o texto atual apoiar a SBC.

Link com mais detalhes: http://homepages.dcc.ufmg.br/~bigonha/Sbc/plsbc.html
João Mauricio | e-mail | em 28/10/2008 | #
A regulamentação ja deveria ter ocorrido, pois tanto há profissionais formados imcompetentes, como profissionais sem formação muito competentes. O que interessa é que, com a profissão regulamentada, os maus profissionais poderão ser punidos e melhorar a qualidade e o ganho dos bons profissionais.
E além do mais, recompensar os 4 ou 5 anos que ficamos estudando e desenvolvendo programas dentro das faculdades
Rodrigo Strauss | website | em 30/10/2008 | #
Eu fiz faculdade. Eu tenho amigos que fizeram faculdades públicas, privadas, boas, ruins... Eu sei que o que você menos faz em uma faculdade é programar...
Diogenes | em 10/05/2009 | #
O importânte não é ser formado o importânte é se informado
Daniel Domingues | em 20/08/2009 | #
Pessoal, para quem tá preocupado e deseja mudar de profissão (DJ por exemplo) Dê uma olhadinha no artigo abaixo:

http://diogoesse.wordpress.com/2009/06/24/dj-e-profissao-lei...
Carlos | em 22/08/2009 | #
Primeiro.. o "deputado" na verdade é o Prefeito, e uma coisa que eu concordo com os outros aqui, ter um diploma valoriza mais a classe, mas desde que seja um diploma de capacitação, ou seja, de um curso de Redes ou de Hardware ou de programação, não creio que seja vantajoso exigir diploma de nível superior, ou técnico porque muitos se formam e não exercem, em contra partida existem muitos profissionais que tem um diploma básico de curso e aprenderam o resto que sabem sozinhos, mas isso tem as suas excesões, existem muitos que aprendem com o "tio, primo e etc" e na verdade denigrem o trabalho do técnico e do profisional de TI, tal regulamentação irá fazer com que o mercado de trabalho olhe com mais respeito a nossa área e possibilitará que as empresas invistam na formação desse profissional, pois sendo regulamentado haverá incentivos à pessoa jurídica sempre que fizer isso.
carlos | em 22/08/2009 | #
A regulamentacao da profissao somente pode ser valida se a exigencia de diploma superior nao existir.

E muito comum a profissao ser confundida com profissoes mais ortodoxidas como advocacia, engenharia e medicina. E preciso entender, por parte da grande populacao, que o exercicio da informatica nao e exatamente como as profissoes que eu mencionei acima. Nao compare erroneamente um desenvolvedor de software com um medico.

Eu nao tenho um diploma superior, pretendo logo ter um, entretanto ja trabalho na area por mais de 9 anos. Me considero competente e nunca matei ninguem com um bisturi por nao ter diploma de medicina, assim como nunca matei ninguem nem derrubei nenhum edificio por nao ter diploma de engenharia e certamente nao explodi nenhum aviao com um software com bugs por nao ter diploma superior em ciencia da informacao.

E preciso separar o joio do trigo, uma lei ou uma regra que vale para determinada profissao nao necessariamente vale para outra. O ser humano e dotada da capacidade de julgamento e deve ser habil para entender as nuances de cada situacao.

Confundir o exercicio da ciencia da computacao com medicina ou engenharia e um erro comum e baseado exclusivamente em preceitos invalidos.
carlos | em 22/08/2009 | #
Somente mais um detalhe. Tomem cuidado, em todos esses tipos de decisoes polemicas devemos sempre nos perguntar quem ganha realmente ganha com isso. Quem sao os orgaos e empresas que possuem interesses? Sem muito esforco pode-se rapidamente perceber que quem lucra _imediatamente_ com isso sao as fabricas de diplomas, faculdades fracas que distribuem certificados a quem demonstra um minimo de esforco e paga por isso.

De onde pode ter vindo a ideia da regulamentacao da profissao de informatica, nos termos que ela esta, pelo Eduardo Paes? Que pressoes ou interesses estao envolvidos?

Vivemos em um pais que eu sinceramente, me espanto pela ingenuidade que muitas pessoas apresentam. Para toda tomada de decisao existe uma razao oculta por tras.

Negar isso e nao se perguntar o porque de cada uma delas e um erro. Lembre-se, estamos todos no mesmo barco, com diploma ou nao.
carlos | em 22/08/2009 | #
Vi um "Carlos" acima com uma opiniao divergente da minha. Quero deixar claro que: carlos != Carlos.
Allan | em 24/08/2009 | #
Lembrando que: Profissionais Analistas que comprovem seu exercício na área no mínimo 5 anos, e técnicos no minimo 3 anos. Tempo que eu acho indispensável para um profissional conseguir estabilidade tecnicamente, não vejo nada de errado nisso.

Mas há um erro sim, e deve ser corrigido através de uma emenda, e todos os profissionais e formando da área devem se organizar, que a área de Sistemas de Informação não é citada em nenhum momento.

Criamos um movimento de discussão em nossa universidade sobre o assunto e estamos observando outras universidades com mesma opinião
Jefferson | e-mail | em 08/06/2010 | #
Pois é...

É duro saber que você estudou 5 anos em uma faculdade e quando vai se formar descobre que o curso nem esta registrado e reconhecido. Foi o que aconteceu comigo, me formei Bacharel em TI, a 15 anos atraz pela Universidade de Taubaté e descobri isto. Muito triste. Uma tremenda falta de respeito com o profissional. Muitas pessoas se formam em curso técnico e saem por aí dizendo que são Analistas de sistemas sendo que nem a Faculdade era credenciada.
Rodrigo Strauss | website | em 08/06/2010 | #
Eu ainda não sou formado e saio dizendo por aí que sou Analista de Sistemas. Na realidade, na minha carteira de trabalho está escrito "Arquiteto de Sistemas", que apesar de ser um título que eu nem gosto muito, foi o colocado pela empresa.
Rodrigo | em 01/10/2010 | #
Dificil entrar em um blog desses e ver tanta gente sem noção falando besteira.
Experimenta passar 5 anos estudando pra conhecer, MUITO MAIS que qualquer imbecil que fica lendo tutorial na internet e depois ver esse desqualificado trabalhando do seu lado e ainda querendo palpitar.
Desenvolvimento de sistemas não é só decoreba não rapaz. É por pessoas como você que a TI no Brasil está um lixo e não se desenvolve.
Rodrigo Strauss | website | em 01/10/2010 | #
Estudei os tais dos 4 anos que vocês tanto gostam de falar. Te digo que fez pouca diferença no meu conhecimento. E com 12 anos de experiência, eu conheci MUITA gente ruim formada e com mestrado. E conheci MUITA gente boa sem formação ou com formação em outras áreas.

E você, como a maioria dos formados que passam por aqui, preferem me atacar com coisas tipo "É por pessoas como você que a TI no Brasil está um lixo" ao invés de argumentar. Talvez devessem ensinar educação na faculdade.
Analista em nome dos Analistas de Sistemas de MG | em 08/10/2010 | #
Primeiro, Esse nosso querido amigo que se diz legislador deveria consultar, de antemão e em grande quantidade, analistas formados, analistas práticos, autodidatas, técnicos, engenheiros de computação e etc, etc, etc, etc, etc.... grandes profissionais, que resolvem as buchas operacionais dos usuários finais e que pôem esse brasilzão sistematizado pra rodar. Aí sim, crie lá seus textos jurídicos, suas cláusulas e artigos e ementas e o *$#!"@&_+... pra, com laudo assinado, timbrado e datado de um analista de sistemas pôr essa lei pra ser votada. Falei.
Tiago Anderle | e-mail | em 04/11/2010 | #
Eu estou fazendo Ingeniaría en la informática na Universidad de Buenos Aires. Eu não sei se você sabe qual é o curso correspondente aqui no Brasil?
Rodrigo Strauss | website | em 05/11/2010 | #
Deve ser Ciências da Computação
Marco Abramo | e-mail | em 29/04/2012 | #
Sou formado em TI, também fiz os tais 4 anos e digo: Ser formado não significa quase NADA.

1) Conheço vários programadores e analistas não-formados que tem mais conhecimento e experiência que eu, e são melhores profissionais do que eu em um ou vários aspectos.

2) Conheço vários formados que são profissionais medíocres ou mesmo ruins, aliás alguns abandonaram a área. Já conheci um sujeito que tinha feito Ciência da Computação mas detestava algoritmo (Pausa para PASME: FORMADO EM COMPUTAÇÃO QUE ODEIA ALGORITMO? É O MESMO QUE MÉDICO QUE NÃO PODE VER SANGUE) e ele queria mesmo é "gerenciar projetos de TI, por isso estava engatando um pós ou MBA (não lembro) em gerência de projetos". Tá, ele poderá até ser um bom gerente de projetos (não necessariamente de projetos na área de TI), mas jamais será um profissional de TI enquanto programador ou analista (apesar de que muitas empresas contratam esses tipos para serem gerentes de TI, muitas vezes com resultados catastróficos)

3) A faculdade não me agregou NADA (exceto um pedaço de papel chamado diploma). Estimo que de 99,9998765% a 99,99755342% (com uma margem de erro de 0,000838%) do que sei foi trabalhando e devorando livros (na frente do micro ou não) madrugadas e finais de semana afora.

4) A maioria dos professores (pelo menos os que tive) tinha boa formação teórica mas nunca desenvolveram um sistema de verdade na vida, não tinham vivência dos inúmeros problemas e características inerentes a um projeto com prazo estrito, recursos escassos, escopos mal definidos, mudanças de escopo, usuários com má-vontade, informações truncadas, legado, ferramentas capengas ou bugadas, pressão por resultados e datas, homologação, implantação, viradas de sistema e etc etc etc

5) Algumas coisas ensinadas dão vontade de rir (ou chorar) pela absoluta inutilidade no dia a dia. Só para dar UM exemplo: COCOMO (Constructive Cost Model), metodologia que dizem que pode calcular o tempo de desenvolvimento de um programa baseado no número de linhas de código, quantidade de arquivo e outras coisinhas, que não passa de uma estupidez monumental - mas gastamos meio período aprendendo essa maravilhosa inutilidade. Pontos por Função não é muito melhor, embora pareça um pouco melhor. Na verdade, a maioria das métricas para desenvolvimento de software ou é totalmente inútil, ou é pouco precisa ou de difícil aplicação - no fim das contas todo mundo dá prazos baseado no feeling adquirido ao longo dos anos e com um componente de chute associado)

6) A maioria das faculdade é um LIXO. Meras escolinhas de vender diploma. Houve uma terrível banalização da faculdade no Brasil. Todo mundo fazer faculdade é bem diferente de todo mundo bem preparado para o mercado. Para piorar, a esmagadora maioria dos alunos é tão iludida (e auto-iludida) que realmente acha que basta fazer uma faculdade lixo para garantir emprego e futuro, e se limita ao que é ensinado (eu disse "ensinado?", desculpem), isso quando não cola em todas as provas que consegue, entra como "ouvinte" em trabalhos de grupo (ou seja, não faz p***a nenhuma) e aos trancos, acaba até se formando... mas sabendo o mesmo que antes de entrar para a faculdade: Quase nada. Mas com um canudo na mão!!!





fabio | website | e-mail | em 26/06/2013 | #
E como fica eu? Sou formado em faculdade pública boa como Técnológo em Sistemas Eletrônicos. Só faço serviço de programação. Já entrei na faculdade sabendo programar e agora um monte de cara que NÃO gosta de programar quer regular a coisa toda? Na minha classe começaram 45 Alunos e só se formaram 6. Os que sabem programar algo são somente 2 (sendo eu um deles).
Toda a cadeia de profissionais regulamentados estão faltando no mercado. Criar um software é como ser artista se reprimirmos uma criação não haverá inovação.
Eles, os regulamentadores, estão pensando egoistamente somente no próprio umbigo e deixando de lado a possibilidade do Brasil um dia desenvolver algo novo.
Esta me parecendo a história das Corporações de Ofício.
Algo a dizer?
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Escreva o número vinte e seis:


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