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Rodrigo Strauss :: Blog

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Os contos que as empresas contam

Eu já trabalhei em várias empresas e consultorias, e fiz entrevistas em tantas outras. Em algumas empresas que eu trabalhei me prometeram coisas que não cumpriram. Além disso, muitas das empresas onde fiz entrevista tentaram me fazer as mesmas propostas, que eu tinha certeza que não seriam cumpridas. Achei interessante mostrar aqui alguns desses "truques" usados pelas empresas para levar vantagem na negociação, e torço para que isso ajude alguns programadores/consultores a não passarem pelas mesmas situações que eu e alguns amigos passamos.

Como um trecho de código vale mais do que... ops, sem código hoje. Vamos então aos truques mais conhecidos:

O velho truque dos três meses: Esse é um dos truques mais velhos e conhecidos. Você pede um salário de R$ 3500,00 por mês. Aí, já quando tudo parece estar combinado e fechado, a pessoa que te contrata diz: "Então vamos fazer assim, eu te pago R$ 3000,00 nos primeiros três meses, enquanto a gente se conhece, e depois eu começo a te pagar os R$ 3500,00". E você, apesar de contrariado, aceita, já que quer mesmo esse emprego. Só que depois do terceiro mês, ao conferir seus rendimentos, você vê que o valor combinado (que eles chamam de aumento) não foi depositado, você recebeu só os mesmos R$ 3000,00. Você passa uma semana tentando encontrar alguém para reclamar, e quando acha, essa pessoa diz que foi um erro do pessoal da contabilidade e que isso não vai se repetir no próximo mês. Mas nesse mês as coisas ficarão desse jeito.

Por ser detalhada, essa história pode parecer uma experiência pessoal minha, mas não é. Conheço algumas pessoas que tiveram exatamente o mesmo problema em empresas diferentes. Não caia no velho truque dos três meses, não aceite propostas para entrar por um salário mais baixo e aumentar depois. A empresa que propõe isso mostra não ser séria e você corre o grande risco de não receber a quantia que pediu. Seja duro nas negociações, não esqueça que a empresa precisa do seu trabalho. Você não está pedindo um emprego, a empresa está pedindo para você trabalhar para ela por causa das suas qualificações.

"Oportunidade de cargo de liderança": Essa é a preferida das meninas de RH de consultoria. Esse é o argumento mais usado quando elas querem te colocar em uma barca furada, como trabalhar em um lugar que fica a 100 km da sua casa. Quando elas já esgotaram todos os argumentos, elas falam que "eu sei que é longe, mas e se existir uma possibilidade de você ser colocado em um cargo de liderança? Isso será muito bom para o seu curriculum". E quando você pergunta de quanto é essa possibilidade, ela te diz que a possibilidade existe, mas não pode garantir nada. Talvez isso seja verdade, e você vire o líder da área de meta-estatística tecnológica, que é a única área da empresa que só tem um funcionário - você! Olha que bom, você será líder de você mesmo, pelo menos você terá 100% de aprovação dos seus subordinados... :-)

Esse truque nunca colou comigo, porque eu prefiro programar do que pegar um cargo de liderança em uma empresa que eu não conheço. E nenhuma empresa que presta coloca um programador sem experiência em liderança para liderar uma equipe. Mas eu já vi esse truque funcionar com várias pessoas que queriam experimentar o gostinho de mandar nos outros ao invés de programar alguma coisa. E já vi vários cargos serem inventados para que muitas pessoas fossem líderes ou gerentes de alguma coisa.

Oportunidade de crescer junto com a empresa: Esse também é um argumento bastante usado para te pagar um salário baixo. O contratante te diz que a empresa está em franco crescimento, mas que não pode te pagar um salário bom agora. Mas ele diz que, se você aceitar esse salário ridículo, você terá a oportunidade única de acompanhar o crescimento da empresa e crescer junto com ela. Mas quando você pergunta de prazos para aumentos, ele repete que você "estará crescendo junto com a empresa". E ainda fala que o crescimento da empresa será proporcional ao seu esforço - que, é claro, nunca será suficiente. Pense bem: você apostaria no crescimento de uma empresa que você nem conhece? Se você acha que vale a pena, aceite a proposta, mas saiba bem os riscos que você está correndo. Eu não costumo aceitar esse tipo de coisa porque eu acho que, se a empresa quer crescer, ela deve investir. E um dos investimentos necessários é contratar profissionais bons e experientes, coisa que não custa barato. Não consigo acreditar no crescimento de uma empresa que faz de tudo para pagar MSP ("menor salário possível").

Passei alguns dias tentando me lembrar de outros truques, mas não me lembrei de nenhum outro que fosse tão importante quanto esses (talvez o de contratar como estagiário, mas não acho que tenha tenta relevância para quem já está a algum tempo no mercado). Isso prova como o arsenal de truques das empresas é limitado, e como as pessoas caem sempre nas mesmas histórias. Já sabe: nada de três meses de experiência (você já tem vários), nada de cargo de liderança (você é um programador, lembra?) e nada de crescer junto com uma empresa que não quer investir em você. Valorize-se e fuja dos super-administradores.


Em 21/06/2005 03:57, por Rodrigo Strauss


  
 
 
Comentários
Gomes | em 21/06/2005 | #
Vale lembrar que isso não é regra, eu recebi o aumento prometido após 1 mês de trabalho. Conforme foi acertado na entrevista.

Ah, eu também já trabalhei em uma empresa(ZAZ) que era pequena e que tava crescendo e lá, sempre rolava promoções com os funcionários internos..... mas eu não podia concorrer, pois não tinha superior completo.....
Rodrigo Strauss | website | em 21/06/2005 | #
Sim, claro, isso não é uma generalização. Mas é bastante comum. Quanto mais eu conheço pessoas da área, mais eu vejo como essas coisas são MUITO comuns.

Não te promover porque você não tem diploma universitário prova que a empresa é gerenciada por pessoas que não são da área ou não entendem nada de informática. Isso na nossa área é ridículo.

Existem várias consultorias pilantras no mercado, são as consultorias de RH. Muitas delas cobram para te recolocar, algo ridículo em uma área que tem a http://www.apinfo.com . Existem algumas listas de consultorias picaretas, achei uma em http://grupos.abril.com.br/mensagem.asp?mensagem=3433809&gru... . Eu colocaria na lista a Catho, pela quantidade de SPAM que aqueles malditos enviam....

Concordo com você, não passe informações se não quiser... Dê sua pretensão salarial e só.

Se você trabalha com Visual C++ e está ganhando menos do que R$ 28 a hora, está ganhando *muito* mal (essa comparação é para São Paulo).
Gomes | em 22/06/2005 | #
Mas eu tenho pouco tempo de experiência, programo faz menos de 2 anos. Então pelo que ando vendo, ganho muito mais que qualquer webmaster e programador Java pleno.

Gomes | em 22/06/2005 | #
Ah, baseado nessa página que fazem pesquisa:

http://www.rhinfo.com.br/sal-ti.htm
xslash | website | e-mail | em 22/06/2005 | #
realmente é bem complicada esta questão.
Há empresas que prometem mil maravilhas e nunca cumprem, e empresas que prometem algumas coisas e cumpres.
Mas como vc mesmo diz, o que se quer é um cantinho para programar sossegado.
Mas mexer com gente é sempre mais dificil. Politicas. Com o computardor não tem isso. Ou é 0, ou é 1. ;)
[]s
Jonatas | em 22/06/2005 | #
Strauss
>>"Não te promover porque você não tem diploma >>universitário prova que a empresa é gerenciada por >>pessoas que não são da área ou não entendem nada de >>informática. Isso na nossa área é ridículo"
Isso realmente é ridículo. Alguns meses atrás fui à uma entrevista em uma conhecida empresa de informática. O cara que tava me entrevistando dava mais valor à uma faculdade do que à uma certificação. Então é mais fácil ficar pagando 500 por mes durante 2,5 anos para uma faculdade de esquina e ter um diplominha do que ralar e conseguir uma credencial?!?!!?...... É de rir (pra não chorar...)
Essa é minha opinião.

E sobre as empresas "picaretas", segue um link do cache do Google (infelizmente o fórum tá dando erro) com vários comentários:
http://64.233.179.104/search?q=cache:KwEaEbBEmD8J:www.msdnbr...


Abs
Jonatas
Rodrigo Strauss | website | em 22/06/2005 | #
Gomes:

Essa lista é para o país inteiro, a média que aparece lá está baixa para São Paulo. Programador Visual C++ sênior ganhando R$ 33,00 está baixo, é o mínimo do mínimo. Programador pleno VC ganhando R$ 22? Está pior ainda.

Outra coisa: um sênior VB ganhando 30 e o VC ganhando 33? Em que mundo eles vivem?
Gomes | em 22/06/2005 | #
Opa, valeu ae!

Vivendo e aprendendo. Nunca julgue empresas por pré-conceito. Às vezes uma empresa podre(por aparência) pode não ser podre, e uma empresa que aparenta ser boa pode ser um lixo.

E o pior é que meu colega(programador super sênior) me disse: "Meu melhor emprego que tive, foi através de um consultoria que parecia um botequinho".


Bob PLoque | website | em 03/08/2005 | #
o truque dos tres meses...eu tbm caí nesse...será que foi na mesma empresa?

hehehehe

[]'s
Rodrigo Strauss | website | em 03/08/2005 | #
Sim, foi. Mas não fomos os únicos, vários amigos meus caíram no mesmo truque em empresas diferentes.
Anderson Almeida | em 24/08/2005 | #
Haha, o truque dos 3 meses eu caí tambem...
Oportunidade de crescer junto com a empresa, humm ja caí tambem, isso eles so falam na entrevista, depois...
Outro comentario, com a explosao de cursos universitarios tem muito nego saindo da facul sem saber o que é void main... lamentavel amigos
Pedro Henrique | em 04/05/2006 | #
Em todos os lugares por onde fui entrevistado, ouvi ao menos 2 das três, quando não as 3 de uma vez só rs.
Chris | em 08/06/2006 | #
Realmente existem empresas que não dão a minima para os funcionários, trabalhei com suporte técnico em uma empresa e ver a chefia falar que é mais dificil contratar alguém para suporte do que para programação mais não dar a devida valorização no que diz, cheguei a ver falar que é melhor pegar um estágiario para a programação por 500 ao mês isso eu acho inaceitável, mais fazer o que nem todas as empresas dão o crédito certo aos seus funcionários após 3 anos nesta empresa é que comecei a receber um mediocre treinamento para trabalhar vejo profissionais graduados ganhando menos que meões que só sabem programa procedural e na pior qualidade, existem empresas que crescem porque seus clientes são mais burros ainda mais com certeza o tempo e o mercado acaba por sucumbir tais empresas.
Eu não desmereço profissionais que não são graduados mais ver pessoas com um salário que dá total condição para se buscar uma graduação e melhorar o seu conhecimento e sua qualificação profissional. Sou 100% a favor da regulamentação da profissão de informática até porque isso faria com que mais profissionais procurar melhorar sua qualificação e azar daqueles que acham que podem ficar aprendendo tudo por ai no ctrl+c ctrl+v.
Rodrigo Strauss | website | em 09/06/2006 | #
Sou 200% contra a regulamentação, não acho que uma faculdade de informática melhore seu conhecimento e qualificação profissional. Programação se aprende programando. Aquele básico do básico sobre programação que você aprende na faculdade qualquer livro ensina.
Chris | em 09/06/2006 | #
Meu caro colega quando digo na regulamentação da profissão estou pensando num ambito maior não apenas no sentido de programar é bem obvio que não se vai aprender a programar bem na faculdade, quando falo na regulamentação quero dizer num ambito geral analisando vários pontos como o a questão ética do programador a sua devida qualificação já vi programadores sem faculdade mais com um conhecimento muito acima de muito cara com mestrado. Eu só quis dizer que sou a favor porque o mercado de trabalho está muito saturado de maus profissionais e o mais obvio que qualquer pessoa que comece a ingressar na área o minimo que ela teria que buscar seria um curso técnico e gradativamente se especializando, uma pequena pergunta vc preferiria ir a um médico antigamente conhecido como prático ou a um que teve uma formação de qualidade, na nossa área vc iria confiar a manipulação dos dados que são a base da sua empresa para um pratico ou um profissional qualificado.
Alias a regulamentação da profissão não vai obrigar ninguem a fazer uma faculdade e sim com que cada profissional se realmente quiser trabalhar na área se especialize para tal.
Rodrigo Strauss | website | em 09/06/2006 | #
"já vi programadores sem faculdade mais com um conhecimento muito acima de muito cara com mestrado"

Felizmente ou infelizmente, essa é a regra, não a exceção, é o que eu mais vejo.

"mercado de trabalho está muito saturado de maus profissionais"

Sinceramente não sei como uma regulamentação tiraria os profissionais ruins do mercado, já muitos deles são formados. Existe maus advogados e maus médicos, e essas categorias são regulamentadas e possuem conselhos de classe.

"vc preferiria ir a um médico antigamente conhecido como prático ou a um que teve uma formação de qualidade"

Não dá pra comparar medicina com informática. Eu prefiro um médico formado, mas minha experiência mostrou que a faculdade conta pouco na qualidade do profissional de informática. Existem médicos péssimos formados pela USP e UNESP. O Ivo Pitangui, por exemplo, se formou na pior faculdade de medicina do país.

"vc iria confiar a manipulação dos dados que são a base da sua empresa para um pratico"?
Sim, confiaria. Assim, a maioria das empresas de software, banco e bolsa de valores o fazem.

"Alias a regulamentação da profissão não vai obrigar ninguem a fazer uma faculdade"
A proposta que tramita no congresso prevê a obrigação da formação acadêmica. Talvez essa não seja a sua idéia, mas é a do desinformado deputado Eduardo Paes.

"sim com que cada profissional se realmente quiser trabalhar na área se especialize para tal."
Como isso seria feito? Não vejo como isso pode ser feito. Testes, cursos, certificações? Sinceramente não vejo nada viável.
Chris | em 15/06/2006 | #
Caro colega temos opniões diferentes sobre o assunto, creio que ambos temos razão em determinados aspectos, mais como assunto aqui não é ficar batendo boca e não cabe a nós decidir se nossa profissão deve ou não ser regulamentada.
Continue colocando os artigos em seu site tomara que mais profissionais leiam eles.
Só uma coisinha bem que a carga de trabalho semanal de profissionais como a gente deveria cair para 30 horas semanais vc não acha?
Rodrigo Strauss | website | em 16/06/2006 | #
"não cabe a nós decidir se nossa profissão deve ou não ser regulamentada"

Cabe sim, nós somos os profissionais da área e os afetados por isso. Caberia a quem isso? Ao deputado que propôs isso, que foi secretário do meio ambiente?
Victor de Alencar Jesus | e-mail | em 28/05/2007 | #
"...empresa está pedindo para você trabalhar para ela por causa das suas qualificações."

Cara, eu sempre eu vi dessa forma e essas dicas são excelentes pra galera que tá entrando no mercado agora. Acontece que tem muito patrão por aí que acha que empregar uma pessoa É FAZER UM FAVOR. E isso, aliado ao "desespero" que bate quando se está desempregado... já viu, né?

Eu, assim como vc, comecei muito cedo. Aos 16 anos era programador estagiário da marinha, concursado, depois disso, fui passando por várias consultorias e TODAS (sem exceção), tentaram os famosos 3 truques que vc citou.

Graças a Deus, hj sou funcionário público e apesar da pouca idade (24 anos), entrei em muita furada por aí.

Teve um conto, que de repente vc não chegou a ouvir, mas que eu caí direitinho. Eu trabalhava a 2 anos em uma empresa, como programador, havia um cliente muito problemático que precisava de um sistema e todos os programadores antigos da empresa falharam ao tentar desenvolver o sistema, meu chefe chegou pra mim e disse: "Victor, se vc conseguir solucionar esse problema, vou dobrar seu salário.". Pronto! Bastou! Lá fui, todo empolgado, fiquei 3 meses trabalhando no sistema e pasme: não pulei carnaval em 2003, só por causa do sistema. Trabalhava horas e horas, saia tarde, chegava cedo, e, por fim, consegui: terminei o maldito sistema! Sistema homologado, fase de experiência, treinamento oficial, produção e pronto! Tudo certo. Depois de um mês com o sistema já rodando oficialmente, nem se quer conseguia encontrar meu chefe. Um dia, fui até a sala dele, ele como sempre não podia atender, fiquei esperando do lado de fora. Quando ele saiu, abordei na cara-de-pau e disse que queria falar com ele. Consegui marcar um horário, e consegui falar com ele e, adivinha? O cara veio com um papo de "não podemos aumentar vc agora, eu sei que prometi, mas o cenário mudou, dolar subiu, downjones desceu, etc,etc,etc,etc...", enfim: vesti a camisa da empresa a toa! No dia seguinte, mandei currículo para o cliente que desenvolvi o sistema da empresa, eles mostram interesse em me contratar, eu pedi um mês e comecei a faltar onde eu trabalhava. Com isso, consegui uma demissão e ainda saí com uma graninha no bolso! Hehheehehe!

Fiquei um bom tempo trabalhando nesse lugar, até passar em um concurso, onde me encontro hj!

É isso aí!
marco | em 26/06/2007 | #
é Ivo Pitangui!
Rodrigo Strauss | website | em 27/06/2007 | #
Ooops...
armando | em 30/12/2007 | #
só pra tirar uma duvida, como fica a função de um programador na carteira, sendo que o programador não completou a faculdade, não tem certificação( mas da pra tirar quando quiser, a empresa falou que não precisava ?
Rodrigo Strauss | website | em 02/01/2008 | #
ACHO que pode ser programador mesmo, já que não é exigida formação acadêmica para exercer a profissão.
José Ricardo Ziviani | em 17/01/2008 | #
Olá, descobri o seu site e achei muito bacana. Mas eu discordo da frase:

"já vi programadores sem faculdade mais com um conhecimento muito acima de muito cara com mestrado".

Isso é basicamente impossível. Dizer que conhece programadores que programam melhor que mestres é comum, mas o conhecimento é infinito para ser mensurado de maneira leviana.

Mestres são especialistas teóricos e programação é prática, seria como afirmar que um pedreiro levanta uma parede melhor do que um engenheiro...um tanto lógico já que o engenheiro não deveria fazer isso.

O problema é que o Brasil não é um país científico. Mestrado virou apenas um diferencial para conseguir um melhor emprego, então os mestres (acredito que logo até doutores) tem que trabalhar "levantando paredes" por aí.

Bem, é isso. Esse assunto é complexo mas o mestrado se tornou algo banal, infelizmente. Mas, resumindo, mestrado não é para formar bons programadores, é um passo para formar cientistas - no mais puro conceito da palavra.

----

Já sobre o curso superior, a questão não é o conhecimento mas o "selo de qualidade" do que você sabe. Eu me formei em somar 2+2, porém - embora eu conheço pouco - eu realmente domino o que conheço. Algo como as certificações (já ví certificados java sem saber programar java - apenas na decoreba) e os ISO/CMMi para as empreas. Não significa que eles são melhores, mas que tem base sólida guiada por gente compentente.

Infelizmente, os cursos superiores no país também foram banalizados...infelizmente tudo está complicado.

Grande abraço,

José Ricardo
Rodrigo Strauss | website | em 18/01/2008 | #
Você tem razão quando à frase, ela foi mal colocada. Eu queria dizer que conheço vários programadores não formados - ou que se formaram depois de anos de experiência - que *programam* muito melhor que mestrados. Já conheci vários acadêmicos que quando tentaram fazer um software com prazo, com orçamento finito e com requisitos se perderam e fizeram um péssimo trabalho.

Sobre a afirmação "Mestres são especialistas teóricos e programação é prática", não posso discutir com você, não sei. A única coisa que eu vejo é que, no Brasil, quase todos os mestrados/mestrandos que eu conheci eram programadores ruins enquanto nos Estados Unidos muitas pessoas com mestrado trabalham na Microsoft/Google/IBM/Oracle/etc *diretamente* com programação e são bons programadores. Isso é fácil de constatar hoje com os blogs e usando o Google.
Anderson | em 29/01/2008 | #
Jonatas | em 22/06/2005 |
Isso realmente é ridículo. Alguns meses atrás fui à uma entrevista em uma conhecida empresa de informática. O cara que tava me entrevistando dava mais valor à uma faculdade do que à uma certificação. Então é mais fácil ficar pagando 500 por mes durante 2,5 anos para uma faculdade de esquina e ter um diplominha do que ralar e conseguir uma credencial?!?!!?...... É de rir (pra não chorar...)
Essa é minha opinião.

É óbvio que os profissionais com nível superior são muito mais valorizados. Cursar uma só disciplina num curso universitário sério chega a ser dezenas de vezes mais difícil do que tirar uma certificação qualquer. Além disso numa universidade você aprende a pensar, resolver problemas, e não a simplesmente utilizar alguma tecnologia. O mundo é assim, não importa o quanto você chore Jonatas. E um curso sério, numa instituição séria (USP, PUC etc) leva no mínimo 4 anos, com uma dedicação que as vezes até te impede de trabalhar. Se um dia você conseguir concluir um curso superior de verdade, vai dar razão pra mim.
Anderson | em 31/01/2008 | #
"A única coisa que eu vejo é que, no Brasil, quase todos os mestrados/mestrandos que eu conheci eram programadores ruins enquanto nos Estados Unidos muitas pessoas com mestrado trabalham na Microsoft/Google/IBM/Oracle/etc *diretamente* com programação e são bons programadores. Isso é fácil de constatar hoje com os blogs e usando o Google."

Acho que você conheceu poucos mestres e fez uma evidência anedótica. É, quem conclui um mestrado chama mestre, não mestrado. Acho difícil alguém que passou num pós-comp, dedicou-se a disciplinas como Análise de Algoritmos e estudou muito profundamente algum tema por anos nas melhores universidades do país, possa ser um programador ruim. Creio que sua opinião deve ser baseada em apenas uma pessoa. Quantos mestres você conhece?
Rodrigo Strauss | website | e-mail | em 01/02/2008 | #
Sim, é minha opinião e minha experiência pessoal, fui claro nesse ponto. Conheci três, todos da USP. Todos em cargos altos nos projetos por causa do título, três projetos que afundaram ou quase. Um dos projetos se salvou porque um programador com 10 anos de experiência e um diploma de faculdade pequena assumiu o projeto e resolveu os problemas.

Programador ruim == sem prática e incapaz de entregar um software no prazo. Sim, eles conheciam muito mais de algortimo do que qualquer um que eu conheço. Mas ser um bom programador é muito mais do que isso.
Eder | website | e-mail | em 10/04/2008 | #
Bem, eu concordo com o Rodrigo, eu tenho uma opnião mais contraditória ainda, acho que ou você tem o dom para programação ou não tem.
Eu ja conheci muitos (quando digo muitos são muitos mesmos) programadores, pós-graduados e mestres, que não tinham noção quase sobre desenvolvimento, infelizmente em nossa área só ter um canudo não basta, e hoje conseguir um canudo é muito fácil.

Na verdade o auto-didata consegue desenvolver muito mais sua abstração e a sua capacidade para resolver problemas do que qualquer outro mestre por ai.
Roberto | em 19/05/2008 | #
Eu também caí no truque dos três meses, eu pensei que esses casos eram isolados mas depois de ler esse artigo parece que isso é rotina.
Renascendo em C++ | website | em 08/12/2008 | #
Posso acrescentar aquí outro velho conto:
"Você pode ganhar um pouco menos, mais veja que todos os funcionários aquí estão a muitos anos conosco! e o trabalho é mais tranquilo!".
- Quando você procura algum ancião para perguntar como é (depois de estar empregado) o cara mais velho tem 4 meses (e já está put.... da vida).

Mais sem dúvida a que mais escutei, é a de crescer junto com a empresa... essa é clássica, principalmente de empresas que estão iniciando e querem ganhar "rios" de dinheiro pagando pouco.
Hoje eu não trabalho por menos nem ferrando.
E ADORO ver gente caindo nesses contos, sempre digo "que pena" enquanto minha mente fala: "Bem feito otário kkkkk".

Anderson | em 09/07/2009 | #
Eu ja cai no truque do "3 meses" 2 x e 1 x no "Oportunidade de crescer junto com a empresa". Sempre qd vc vai conversar com alguem eles tem mandam esperar, e quando consegue falar com o super-administrador, ele te fala dos problemas que a empresa esta enfrentando, a baixa de clientes, o esperado do seu rendimento, os atrasos nas entregas, e ainda te pedem para vestir a camisa da empresa.
Anderson | em 09/07/2009 | #
Há, isso quando estava entrando no mercado. Tb nao trabalho nessas condiçoes. Uma coisa muito ruim que observo é que muitos programadores se prostituem por qualquer miséria, e isso tem consequencia na desvalorizacao da profissao de analista ou programador aos olhos dos administradores. É aquela historia: "Vc esta cobrando um absurdo por este sisteminha que posso encontrar de graça na internet". Os profissionais da area devem se valorizar, senao nao estaremos valendo mais nada.
cleovane selbach | em 24/01/2010 | #
Faltou o bom, velho e conhecido golpe do : "você vai trabalhar em uma empresa com mais de X anos no mercado", aí quando você entra percebe que durante esses x anos a empresa conseguiu desenvolver todos os tipos de maus hábitos possíveis; ou então "Você vai poder trabalhar em uma das dez maiores do ramo", eu não sei qual é a matemática que permite a todas as empresas afirmar que fazem parte do grupo das 10 mais; mas a minha preferida é aquela " Isso vai ser bom para sua carreira", o que em outras palavras significa "você vai querer sair dessa o quanto antes".
Tem também aquela "você vai ter a oportunidade de participar de um grande projeto", eu tenho quase certeza que foi uma frase assim que convenceu os marujos de Pedro Álvares Cabral a atravessarem o atlântico num barquinho de madeira.

Quanto a questão do quem programa melhor, o que vale mais, diploma, certificação, experiência, acho que a diferença básica do auto-didata de quem tem formação acadêmica é a questão da força de vontade. O auto-didata está mais habituado da batalhar por conta própria a correr atrás sem precisar de alguém cobrando que ele entregue determinado trabalho no prazo, por isso tem mais facilidade para formular problemas e soluciona-los, enquanto os acadêmicos estão mais acostumados a resolver problemas prontos.
Dizem que saber formular um problema é mais importante do saber solucioná-lo; e ainda que a energia mais poderosa que existe é a vontade.

Respeitosamente.
Leonardo | em 15/09/2010 | #
Tudo isso ocorre EXATAMENTE como você mesmo descreveu.
E o pior de tudo, é que no meu caso utilizaram-se dos 3 truques de uma só vez! ^^
Quando li o blog parece que estava lendo uma auto-biografia!.rsrsrs.. que viajem..
Luis Antonio | em 23/02/2011 | #
hahaha.empresas de consultorias picaretas são as que mais tem...algumas

WA Consultoria (CENESP)
Leega Consultoria (Av Paulista..mas só uma sala vazia)
Gommo Consultoria (Al Franca)
5A Consultoria

Todas farinhas do mesmos aco..prometem ..prometem...qdo sem mais nem menos vc é despedido e sem razões passíveis.
Luciana | em 10/05/2011 | #
Olá Rodrigo,

Aconteceu comigo, a empresa não cumpriu o combinado. Receberia um salário no período de experiência e passado este determinado tempo de exatos três meses, haveria uma alteração salarial para maior é claro. Mas no meu caso não falaram que foi um erro da contabilidade, falaram simplesmente que não se lembravam do acordo e que não era dos principios da empresa fazer este tipo de prosposta aos colaboradores, ou seja, não ocorreria o aumento. Inexperiente, aceitei a proposta de emprego de "boca", não houve relato da proposta, registro nenhum que comprovasse a prospota da empresa para o empregado. Este caso é recente, e estou entrando com uma ação contra a empresa, que por isso entre outras coisas ela tem o menor respeito pelos colaboradores e pessoas.
gislaine | em 13/04/2012 | #
oi. lendo isso me deu um calafrio muito grande. entrei numa empresa como estagiaria, empresa pequena e unica na minha cidade na area de desenvolvimento de software. semana passada fui contratada como funcionaria, eles prometeram a dica 1 e 3
do post. pode ate ser uma furada enorme. so esses 3 meses dirao.. mas eu sou novata nem me formei ainda, to numa facul fraca pro ensino tecnologico, com muitos professores despreparados chegando a alegar para os aluno que nao sabem quase nada da materia disciplinada. e eu... tenho vontade de aprender (principalmente c# e asp.net) tenho muita dificuldade,leio leio leio muita coisa entendo muita coisa nao e muitas vezes acabo perdendo a paciencia de ler.(tenho uma boa caracteristica de programador: gosto de fuçar e ser curiosa, invento problemas,mas esbarro em coisa simples as vezes)
Entrando nessa empresa (venci todos q tentaram), nao ganho quase nada pra ser sincera, mas penso como isso iria me gerar uma experiencia quando sair dessa cidade, sairei bem mais preparada.
o que vcs acham? concordam comigo? aceito conselhos, mas nao vem me esculachar.
OBS:: to no ultimo ano.
Rodrigo Strauss | website | e-mail | em 16/04/2012 | #
Lendo o que você falou, você não tem opção melhor. Mesmo se te derem o golpe do salário, aproveite se for uma boa oportunidade para aprender.
Marco Abramo | e-mail | em 26/04/2012 | #
Cara, seu site é um oásis bruxuleante no deserto de lugares-comuns da web...

7 anos depois deste seu artigo, as coisas não mudaram muito. Só acrescentando outra afirmação muito comum, tão comum que é banalizada: Empresas reclamam que não "encontram profissionais qualificados".

Sim, em parte isso é verdade, há carência de bons profissionais experientes. Mas por outro existem empresas que não são sérias: Eu mesmo já fui a várias entrevistas onde preenchia ou extrapolava as qualificações mas o salário era desanimador. Ululantemente óbvio que ninguém com aquelas qualificações iria trabalhar por aquele preço. Mas aí o RH propaga que não acha profissionais qualificados, omitindo convenientemente o fato: Acha, mas os que foram encontrados não tinham vocação para mendigos.
Rodrigo Strauss | website | e-mail | em 26/04/2012 | #
"oásis bruxuleante no deserto de lugares-comuns da web". Não sei nem por onde começar a entender o sentido dessa frase. Mas julgando pelo restante, isso não deve ser ofensivo...

Mas é isso mesmo, as coisas não mudam. 7 anos é muito pouco para que mude a cultura das empresas. Infelizmente.
Marco Abramo | e-mail | em 27/04/2012 | #
Hehehe... o "oásis bruxuleante e etc" é minha homenagem ao jargão corporativo empolado que inunda as empresas hoje em dia... :-)

Já a praga do "cargo de liderança" está ficando insuportável... Parece que para as empresas TODO funcionário tem que ser líder, esquecendo que para alguém liderar tem que existir os liderados... E quem não é líder é um Zé Mané.

Eu já trabalhei como líder, sei gerenciar e motivar equipes, mas é um embuste achar que absolutamente TODOS tem tino para isso, ou mesmo querem isso.

Mas o pior é: Atualmente atrela-se ascensão profissional à "posição de liderança", ou seja, para ganhar aumento de salário TEM que virar líder... Ora bolas, um ótimo profissional pode ser exatamente isso, um ótimo profissional e bem pago, sem ter que liderar nada, apenas fazendo o que faz bem feito.

A "pegadinha" disso é: Óbvio que em qualquer equipe, seja de 5, de 10 ou 100 pessoas, não podem existir 5, 10 ou 100 líderes. E obviamente apenas poucos destes chegarão lá. Mas isso é usado como justificativa para empacar a carreira e salário dos outros, por melhores que tenham desempenhado. E ainda botar culpa nos mesmos: "Vocês não se esforçaram o suficiente".

São os insultos à inteligência que vivenciamos todos os dias...



Wilson Barbosa | em 06/07/2013 | #
É Strauss,

Já trabalhei em uma empresa que pagava pouco e esperava os funcionários aparecerem com propostas melhores para desejar-lhes boa sorte!

Pelo menos o diretor de tecnologia era honesto e dizia que via a empresa como uma escola...
Bruno | website | e-mail | em 28/01/2017 | #
Cara, estamos em 2017, e como pode esse post ser tão atual.
Sou sysadmin, programo um pouco, e o meu primeiro emprego foi assim, proposta dos três primeiros meses, lá em meados de 2009.
E Esse negócio de faculdade está ridículo. Eu tenho faculdade (e uma dívida de 70 k), e a faculdade é um titúlo obrigatório, que não necessariamente vai melhorar sua carreira como programador, sysadmin, gerente... (afinal o que eles mostram na faculdade é o basico do basico do basico).
Algo a dizer?
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rebarba rebarba
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